Neta de Preta Gil chega nos últimos minutos do velório para se despedir da avó e … Ver mais

Na tarde desta sexta-feira (25), o Brasil viveu mais um capítulo comovente de sua história cultural e afetiva. Em meio a lágrimas, homenagens e uma profunda reverência à trajetória de Preta Gil, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro se tornou palco de uma despedida que jamais será esquecida. Aos 50 anos, a cantora e ativista nos deixou no último domingo (20), vítima de complicações decorrentes de um câncer colorretal. Sua partida mobilizou artistas, autoridades, amigos e uma legião de fãs que foram ao local prestar as últimas homenagens.
Entre os rostos emocionados que marcaram presença na cerimônia, um em especial tocou o coração do público: Sol de Maria, neta única de Preta Gil. A menina, de apenas 9 anos, chegou acompanhada da mãe, Laura Fernandez, nos momentos finais do velório — já com o espaço fechado para a imprensa e para o público. Ambas vestiam branco, cor escolhida pela família como símbolo de respeito às tradições do candomblé, religião da artista. Nesse contexto espiritual, o branco representa luto, purificação e proteção — uma mensagem silenciosa de reverência à memória de Preta.
O ambiente, silencioso e carregado de emoção, foi cuidadosamente preparado para refletir a grandeza de quem partiu. Um telão instalado no salão principal exibia imagens que relembravam a trajetória artística e pessoal de Preta Gil — desde os primeiros passos como cantora até os momentos mais recentes, em que sua luta contra o câncer se tornou símbolo de coragem e transparência.
Entre as muitas manifestações de carinho, destacaram-se as dezenas de coroas de flores enviadas por fãs, amigos e personalidades públicas. Uma, em especial, gerou comoção: a mensagem assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela primeira-dama Janja. “Nasceu para voar, fez seu destino, tocou o céu e espalhou só amor. O Brasil agradece e celebra sua luz”, dizia a dedicatória.
Celebridade desde a infância por ser filha de Gilberto Gil, Preta sempre soube trilhar seu próprio caminho. Com irreverência, talento e um posicionamento firme em pautas sociais, ela conquistou não apenas um espaço na música brasileira, mas também no coração de milhões de brasileiros. Sua voz — potente, tanto no palco quanto fora dele — ecoava em defesa da diversidade, da liberdade, da inclusão e do amor.
Durante a manhã, o Theatro Municipal foi visitado por uma multidão. Filas se formaram ainda nas primeiras horas do dia, com fãs que buscavam um último instante de proximidade com sua ídola. Muitos vestiam branco ou exibiam camisetas com frases emblemáticas da cantora, como “Preta tudo. Amor sempre foi ação”, lema que resume com perfeição o espírito combativo e afetuoso que Preta Gil sempre carregou.
Artistas como Caetano Veloso, Ivete Sangalo, Pabllo Vittar, e Alcione marcaram presença, cada um deixando sua homenagem — seja com palavras, canções ou gestos silenciosos. Entre lágrimas e abraços, o sentimento coletivo era de gratidão: gratidão por tudo que Preta Gil representou, pelo legado cultural e humano que deixa e pelo exemplo de força em meio à dor.
Encerrada a cerimônia, o corpo da artista seguiu em cortejo pelas ruas do Rio de Janeiro, em um trajeto simbólico de despedida que levou o amor do público até o local onde será realizada a cremação. Durante o percurso, aplausos espontâneos, músicas e gritos de “Viva Preta!” ecoaram pelas calçadas, transformando a dor da perda em um tributo coletivo.
A presença de Sol de Maria nos últimos instantes do velório foi, para muitos, uma imagem marcante. A neta, ainda tão jovem, representa a continuidade de uma história que se entrelaça com a música, a luta e o afeto. Seu silêncio diante do caixão da avó carregava mais do que tristeza: era a expressão pura da conexão entre gerações que compartilham valores e sentimentos profundos.
Preta Gil não foi apenas uma artista; foi uma presença que iluminava tudo ao redor. Sua partida deixa um vazio, mas também uma luz — que continuará brilhando por meio de sua obra, de seus posicionamentos e daqueles que seguem inspirados por ela.
O Brasil se despede, mas não esquece. Porque nomes como o de Preta Gil não terminam com um adeus — permanecem vivos na cultura, na memória e no coração de um povo que ela tanto amou.






