“Tá rindo de que?”Janja é criticada em enterro de Preta Gil, ela foi… Ver mais

O velório da cantora Preta Gil, realizado nesta sexta-feira (25) no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, foi marcado não apenas pela comoção dos presentes, mas também por uma controvérsia que tomou conta das redes sociais: a postura da primeira-dama Janja da Silva. Fotografada sorrindo ao lado do caixão da artista, Janja passou a ser alvo de uma enxurrada de críticas e comentários indignados na internet, levantando um debate intenso sobre comportamento em momentos de luto.
A cerimônia, que reuniu familiares, amigos próximos, personalidades públicas e fãs da cantora, teve tom de despedida e também de homenagem à trajetória de Preta Gil, que morreu no último domingo (20), aos 50 anos, após uma batalha contra o câncer. A presença de Janja no local representava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que não pôde comparecer pessoalmente.
Contudo, em meio aos registros fotográficos da ocasião, uma imagem específica viralizou: nela, Janja aparece sorrindo durante o velório. O gesto, considerado por muitos como inadequado ao contexto de dor e despedida, foi rapidamente amplificado nas redes, gerando uma onda de comentários críticos e reações acaloradas.
“É só falta de noção e educação ou já beira a psicopatia?”, escreveu uma usuária da rede X (antigo Twitter), enquanto outro internauta disparou: “É inacreditável como essa mulher é deslumbrada e completamente sem noção”. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), conhecido pelas críticas frequentes ao governo petista, também se manifestou: “Pô, não tô querendo pegar no pé… mas quem chega na frente de um caixão e dá um sorriso desses?”
Esses e outros comentários refletiram uma indignação que rapidamente tomou proporções maiores. Para muitos, o sorriso destoava do ambiente de luto e representava, no mínimo, uma falha de sensibilidade. Para outros, no entanto, a reação foi desproporcional e indicativa de um julgamento apressado — e, talvez, politizado.
Em contrapartida, a imagem também gerou manifestações de apoio à primeira-dama. Vários internautas saíram em defesa de Janja, apontando que sorrir em um velório não é, necessariamente, sinal de desrespeito. “Sério que tem gente problematizando um sorriso em um velório??? Meu Deus”, escreveu uma usuária. Outro comentário ponderou: “As pessoas precisam entender que momentos de despedida também são, às vezes, momentos de lembrança, de troca de afeto, de consolo mútuo.”
Há também quem tenha lembrado que Preta Gil era conhecida pelo seu espírito leve e bem-humorado, e que a própria família teria desejado que a cerimônia fosse um momento de celebração da vida da artista, não apenas de tristeza. “Se a Preta pudesse escolher, ela certamente preferiria um sorriso sincero a caras fechadas por convenção social”, comentou um fã da cantora.
A polêmica traz à tona um debate mais amplo sobre o comportamento esperado em rituais de despedida. Em muitas culturas, o velório é um momento não apenas de dor, mas também de memória, partilha e até mesmo de reencontros. A expressão de sentimentos nesses ambientes pode variar amplamente, e nem sempre o luto se manifesta com lágrimas ou rostos sérios. Em alguns casos, sorrisos surgem como forma de acolhimento, de recordar momentos felizes ou de oferecer força aos que sofrem.
Ainda assim, o peso simbólico das imagens públicas — especialmente quando envolvem figuras políticas — tende a amplificar as reações, como foi o caso de Janja. Em tempos de redes sociais altamente polarizadas, cada gesto é potencialmente interpretado sob lentes ideológicas, o que dificulta avaliações mais isentas ou empáticas.
Até o momento, nem Janja nem a assessoria do Palácio do Planalto se pronunciaram oficialmente sobre o ocorrido. A primeira-dama, que costuma manter presença ativa nas redes sociais e em eventos oficiais, preferiu o silêncio diante da repercussão.
O episódio também reacende discussões sobre a presença de figuras públicas em ocasiões íntimas, como funerais, e sobre como a sociedade interpreta — e julga — atitudes que fogem da norma esperada. Em um ambiente cada vez mais vigiado e opinativo, gestos simples podem se transformar em grandes controvérsias, especialmente quando ligados a nomes que simbolizam o poder e a política nacional.
Enquanto isso, a despedida de Preta Gil segue marcada pela comoção de fãs e amigos, que lembram com carinho de sua trajetória artística, sua coragem diante da doença e sua contribuição para a música e a representatividade no Brasil.






